o dia se arrasta por vários outros dias mais
a gente se afasta, repelidos por cifrões que você caça
meu ódio se alastra pelos quartos da casa
nenhum vício me basta ou me faz morrer
e por vários outros dias mais a gente se afasta
o dia se arrasta pelos quartos da casa
meu ódio se alastra e me faz morrer
vício e cifrão são algo que se gasta
que na mão coça, que eu gosto e você gosta
todo dia esse meu vício de natureza vasta
despedaça tal morte lenta e casta
quanto aos cifrões, traça e castra
o ódio então se afasta por alguns dias a mais
um quarto só me basta
quando o ódio se arrasta e nem a morte lhe basta
o vício se alastra por vários dias iguais
prefere os cifrões aos cantos melódicos da casa
que amordaça, os quartos estão repletos de traça
a morte lhe alcança e a traça lhe caça
o vício se arrasta e o ócio me coça
arrasta-nos pelos cantos de toda a casa
onde cifrão algum lhe basta, odeio-lhe em paz
é quando a morte do vício lhe prostra
a um canto qualquer da velha roça
o dia se afasta e a gente se alastra
na barriga da traça, o ódio se cala
a morte é vã e se alastra
a traça se arrasta pelos cantos da casa
resta-lhe apenas o cifrão de que agora se afasta
o ódio lhe arrasa e o ócio lhe mostra
o vício, e agarra
o dia não passa nunca mais
a fumaça
o filtro do cigarro
a cinza dele e
o gosto do pigarro
há de misturar-se ao teu carro novo
e ao meu escarro
a carniça da carcaça
atiça a fome da traça
que esgarça
esganiça e até engasga
qualquer fome de beleza...
basta